Seguindo do meio pra frente

“Um belo dia resolvi mudar, e fazer tudo o que eu queria fazer…” ( Rita Lee)

Existem coisas que começam mesmo pelo meio. No meio da vida, da tarde, de um pensamento e principalmente de uma sensação. Assim surgiu o Emotional Food.

Em um momento entre a agitação de uma intensa vida profissional e planos de futuro e a busca pela simplicidade do contato com a terra e da produção de algo que acalentasse a alma. Tenho o privilégio de trabalhar com pessoas e conviver com a sua humanidade e com a minha. Encanta-me ser a fiel depositária do afeto alheio nas relações que vivo, e principalmente, a maneira como, ao nomeá-lo ele encontra sua memória perdida, ou escondida… Gosto muito da memória afetiva ligada as percepções e principalmente às sensações.

Digo tudo isso para contar parte do caminho que essa ideia percorreu até que se ligasse aos meus próprios afetos.

Nossas memórias estão muito ligadas a cheiros, gostos, toques, sons, melodias…  Quero dizer que muitas delas tem uma música própria, um cheiro ou um gosto especial.

E buscando por plenitude e simplicidade encontrei as minhas memórias que cheiravam a doces e tinham o gosto das amoras.

Minha avó fazia geleias e compotas. Vinda de uma família de imigrantes, aprendeu com a mãe a mexer o tacho com cuidado e dedicação para nada desperdiçar e para armazenar alimentos por mais tempo.  Tenho inúmeras memórias cheirosas de infância. Eram compotas, geleias, defumados e muitas outras delícias que levavam muito tempo para fazer e pouco para comer.

Descobri no meio da vida (onde também eu estou…) que minha busca era profunda… Aparentemente estava cansada de não sentir o gosto das frutas, o cheiro nos legumes, de comprar produtos preparados em escala industrial e de me perder daquilo que era importante para mim quando se tratava de alimento. Porque alimento é alimento, deve alimentar o todo , corpo e alma.

No entanto, como estou sempre a apurar minha escuta (como se apura o doce que se é…) escutei o que esse meio de caminho me dizia: “Coloque mais gosto e cheiro em sua vida! Faça o que a deixa feliz! Deixe de ser coletiva para ser única. Viva o afeto, sinta o afeto… pois alimento e afeto tem desde nossa primeira mamada uma ligação pra lá de intima. Como aceitar viver sem cheiro e sem gosto? Não se perca deles…”

Foi assim que decidi fazer minha vida mais doce, mais saborosa, mais saudável… Comecei a cozinhar meus próprios doces, minhas próprias geleias, molhos, saladas, chutneys e por aí vai – por que me empolguei mesmo. Queria qualidade! Queria a terra, o natural, o orgânico! Abaixo o agrotóxico, o BPA, as caixas Tetra-pak, as latas… Afinal de que estava alimentando a mim e a minha família?

Queria me livrar das camadas tóxicas que protegem o fruto, mas atrapalham o nosso crescimento. Simbólico não?
Decidi que de conservantes, apenas o açúcar e a memória permaneceriam. Descobri que parte de mim ama trabalhar com a escuta e o coração e outra parte precisa movimentar as mãos, sentir o gosto e o cheiro. Decidi colocar afeto no consultório e nas panelas, e minha vida ficou muito mais saborosa, divertida, cheirosa.

Minha avó sempre me disse que fazer um doce não é tarefa simples, leva tempo e paciência. Não se pode aumentar o fogo e mexer rapidamente. Ele tem o seu tempo para apurar, assim como o fruto tem seu tempo de amadurecer.

Nós, por acaso somos diferentes? Convido vocês a nos visitarem! Aqui não há pressa. Não há nada que não seja feito com cuidado, delicadeza, afeto e paciência. Nada que não seja feito com vontade.

Respeitamos a natureza e os frutos de suas estações. Respeitamos quem planta,  quem vende e quem compra. Respeitamos o tempo e reciclamos, pois respeitamos o planeta e a nós mesmos…

Venha cá, venha e sinta o cheiro. Venha e sinta o gosto … Venha e sinta por que se for sentido fará todo o sentido em sua vida!

Alê Lessa, Emotional Food

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